O 11 DE SETEMBRO DE 2001




Dizem que artistas são dotados de uma sensibilidade que , em muitas vezes, conseguem identificar sinais de fatos premonitórios sobre acontecimentos pessoais ou de outras naturezas.
Tenho percebido que os que assim afirmam têm razão porque sou uma pessoa sensitiva, felizmente ou infelizmente...
Em 1995 em viagem de estudos em New York, , num dia que fazia calor, em pleno Outono, uma colega insistiu para visitarmos o World Trade Center.
Concordei em almoçar naquele local porque minha colega tinha muita curiosidade de conhecer o “Centro das Decisões Mundiais” ali localizado.
Percorremos as principais dependências do majestoso Edifício, tiramos fotos da Escultura que havia no terraço do prédio, em que o escultor havia usado o aço e outros materiais , entre eles o cobre, representando justamente que os EUA, através do Fundo Monetário Internacional era o Cérebro das Decisões Mundiais.
A América era o centro de tudo!
Quando descemos para almoçar num dos restaurantes que ficavam ao ar livre em espaço interno do prédio, comecei a sentir calafrios e uma sensação estranha de mal estar e eu queria sair dali o mais rápido possível. Ainda, assim, colhi um flagrante de um grupo de executivos em mesa próxima, parecendo que entre eles havia um homem de cor parda e que, ao falar, apontava com o dedo algo que não identifiquei o que fosse.
Na volta para Porto Alegre, eu estava empenhada em pintar um quadro representando a minha estada em NY e escolhi justamente o momento do World Trade Center, pelas sensações estranhas que sentira lá.
A foto do quadro aí está para constatarem. Usei cores amarelas, laranjas, vermelhas por intuição e, hoje, constato que elas lembram a cor do fogo.
Do lado esquerdo pintei a escultura que havia no terraço do World Trade Center. À direita, ao alto, pintei o flagrante que colhi no restaurante do prédio.
Vejam uma mão escura que aponta para os executivos...
No fundo do quadro pintei várias coisas que lembram flores, anjos e pássaros. Finalmente, ao centro está a DAMA DE AZUL, iluminada por uma coruja que representa a Sabedoria .Até hoje, os que me conhecem, dizem ser meu autorretrato.
No dia 11 de setembro de 2001, eu me encontrava no Atelier Livre em aula de Escultura, quando aconteceu a catástrofe que abalou o mundo e marcou para sempre os EUA. Eu estava com um bloco de pedra sabão nas mãos para esculpir. Era meu primeiro trabalho em pedra. Neste momento eu senti que aquele dia mudaria completamente o rumo dos EUA, em termos econômicos e sua importância no mundo.
Senti que haviam acertado a águia americana.
Esta obra, embora tosca pelos meus incipientes manejos com as ferramentas da escultura, representa uma pomba com o bico para o alto, sem poder alçar vôo, tem no seu lado direito, olhos vasados e o bico da águia.
Atrás, uma figura disforme com um dos pés furados. .. Seria a América? Depois de pronta, a obra foi chamuscada com fogo...
Este dois trabalhos, tanto em pintura como em escultura, considero importantes porque um é premonitório e o outro, a antevisão do que aconteceria depois daquele ataque ao país que sempre admirei.
Sei que os sensitivos, os espíritas, entenderão o que escrevi aqui.
Não sou uma grande pintora nem escultora, mas sinto possuir extrema sensibilidade de alguns artistas, ao executar uma obra e isto me basta.


Tenini.

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