A VOZ DO BRYAN




Há duas coisas que me agradam num homem: a voz e o que escreve, pois deve ser romântico e sensível, além de culto...

Quanto a voz, meu marido tinha uma voz tão bela que me levava às profundidades da alma. Assim que eu o escutei, pensei comigo mesma: esse homem será meu. E foi.

Vocês já repararam na voz do Bryan, jardineiro do Jamie Oliver? Não? Então, escutem... e me digam depois.

Quando assisto o programa, mesmo que esteja fazendo outra coisa, ao ouvir a voz do Bryan, eu amoleço. Ele tem voz noturna... Parece que a voz dele cala fundo no meu coração e nas minhas emoções...

Se ele me convidasse para qualquer coisa, eu iria sem pestanejar e o amaria para todo o sempre. Seria sua escrava, uma geisha, uma Amélia da vida.

Então, vejam que foi difícil na minha “vida útil” encontrar dois gostos numa pessoa só. No meu marido encontrei as duas, pois ele era romântico (mandava flores em todas as ocasiões, especialmente quando me traía...) e tinha voz de veludo.

A bem da verdade, na minha maturidade, no ardor da loucura da Idade Madura, me apaixonei por uma pessoa que escrevia como eu gostava. Mas quando falou... com aquele “tom de bicho-papão”, me recolhi à minha insignificância.

Mas o cara era um enganador porque numa ocasião em que nos deparamos num café, ao me ver, ele deixou o “leva-tudo” na mesinha ao lado e saiu para a rua, para fumar, fazer algo urgente ou para ver se eu ia atrás...

Ora, um cara que deixa o “leva-tudo” para quem quiser, está a fim de ser assaltado!

Como eu sairia segura com um cara que ao ser assaltado, deixar que levem tudo?

Ante este episódio, fiquei na retaguarda e fingi que não era comigo... para as risadas de uma colega que estava comigo e percebeu a jogada.

Então, meus amigos, além de ter sido, sempre, apreciadora de relacionamentos dentro das regras, sempre estive atenta a dois detalhes: o romantismo e a voz, que deveria ser noturna, igual a do Bryan...

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